Trio ex-Google está desenvolvendo um aplicativo de aprendizado interativo com inteligência artificial para crianças.

por Robson Caitano

Sparkli: Uma Iniciativa de Educação Interativa para Crianças

Introdução ao Projeto

Empresas de tecnologia de grande porte e startups emergentes estão buscando utilizar a inteligência artificial generativa para desenvolver softwares e hardwares voltados para crianças. No entanto, muitas dessas experiências são restritas a texto ou voz, o que pode não ser atraente para o público jovem. Com o intuito de superar essas limitações, três ex-funcionários do Google, Lax Poojary, Lucie Marchand e Myn Kang, fundaram a Sparkli, um aplicativo interativo impulsionado por inteligência artificial generativa.

A Gênese da Sparkli

Fabricada no ano passado, a Sparkli nasceu da frustração de Poojary e Kang, que, como pais, não conseguiam atender à curiosidade de seus filhos ou oferecer respostas envolventes às suas perguntas. Poojary explica que a curiosidade das crianças é inerente, mencionando: "Meu filho frequentemente me perguntava como os carros funcionam ou como a chuva acontece. Minha abordagem era utilizar ChatGPT ou Gemini para explicar esses conceitos a uma criança de seis anos, mas isso ainda é um bloco de texto. O que as crianças desejam é uma experiência interativa. Esse foi o fundamento de nossa criação da Sparkli."

A Equipe por trás do Aplicativo

Antes da criação da Sparkli, Poojary e Kang cofundaram um agregador de viagens chamado Touring Bird e um aplicativo de comércio social focado em vídeo, denominado Shoploop, na incubadora interna de startups do Google, a Area 120. Poojary também atuou em projetos de compras no Google e no YouTube, enquanto Marchand, atual CTO da Sparkli, foi um dos cofundadores da Shoploop e teve experiência posterior na Google.

Inovação e Interatividade no Ensino

Poojary destaca que, anteriormente, quando uma criança perguntava como era Marte, poderia ser apresentado um simples desenho ou uma filmagem. "Com a Sparkli, queremos que as crianças interajam e experienciem o que é Marte", diz ele. A startup observa que os sistemas educacionais muitas vezes não acompanham a evolução das metodologias modernas de aprendizado. Portanto, a Sparkli visa ensinar conceitos como design de habilidades, educação financeira e empreendedorismo por meio de uma "expedição" de aprendizado alimentada por inteligência artificial.

Funcionalidades do Aplicativo

O aplicativo oferece aos usuários a oportunidade de explorar tópicos pré-definidos em diferentes categorias ou formular suas próprias perguntas para criar um caminho de aprendizado personalizado. Diariamente, um novo tópico é destacado, permitindo que as crianças aprendam algo novo. Elas podem optar por ouvir a voz gerada ou ler o texto. Os capítulos sob um mesmo tópico incluem uma mistura de áudio, vídeo, imagens, quizzes e jogos. O aplicativo ainda propõe aventuras do tipo "escolha sua própria jornada", sem a pressão de respostas corretas ou incorretas.

Uso de Inteligência Artificial

Poojary ressaltou que a startup utiliza inteligência artificial generativa para criar todo o seu material de forma dinâmica. "A companhia consegue criar uma experiência de aprendizado em até dois minutos após a solicitação de um usuário, e estamos trabalhando para reduzir esse tempo ainda mais", comentou.

Enquanto assistentes de inteligência artificial podem ajudar crianças a aprender sobre determinados assuntos, a Sparkli não coloca foco exclusivo na educação. Para garantir a eficácia de seu produto, a empresa priorizou as contratações de um doutor em ciências da educação e inteligência artificial, e de um professor. Essa decisão foi tomada para assegurar que o conteúdo gerado seja mais adequado às necessidades das crianças, respeitando princípios pedagógicos.

Segurança no Uso de Inteligência Artificial

Uma das principais preocupações relacionadas ao uso de inteligência artificial por crianças é a segurança. Empresas como OpenAI e Character.ai enfrentam processos judiciais de pais que alegam que essas ferramentas incitaram comportamentos autolesivos. A Sparkli afirma que tópicos específicos, como conteúdos sexualmente explícitos, são totalmente proibidos no aplicativo. No entanto, quando uma criança faz perguntas sobre autolesão, o aplicativo tenta abordar o assunto com inteligência emocional, incentivando a comunicação com os pais.

Parcerias e Testes

Atualmente, a empresa está testando seu aplicativo em parceria com uma instituição que possui uma rede de escolas com mais de 100.000 alunos. Seu público-alvo abrange crianças com idades entre 5 e 12 anos. No último ano, a Sparkli realizou testes em mais de 20 escolas.

Módulo para Professores

A Sparkli desenvolveu um módulo para professores que permite o acompanhamento do progresso dos alunos e a atribuição de tarefas. A inspiração para a criação deste módulo foi derivada do Duolingo, buscando tornar o aplicativo suficientemente envolvente para que as crianças aprendam conceitos e queiram retorná-lo frequentemente. O aplicativo conta com "streaks" e recompensas para crianças que completam lições de forma regular, além de cartões de tarefas baseados no avatar inicial que elas configuraram, abrangendo diferentes tópicos.

Feedback de Escolas

De acordo com Poojary, o feedback proveniente dos testes em escolas foi predominantemente positivo. "Os professores frequentemente usam a Sparkli para criar expedições que os alunos podem explorar no início da aula, direcionando para um formato de discussão posteriormente. Alguns educadores também a utilizaram para criar tarefas após uma explicação inicial sobre um tópico, permitindo que as crianças explorem mais e ofereçam um retorno sobre sua compreensão", explicou ele.

Expansão de Acesso ao Consumidor

Enquanto a startup pretende trabalhar principalmente com instituições escolares em nível global nos próximos meses, a expectativa é abrir o acesso ao consumidor, permitindo que os pais baixem o aplicativo até meados de 2026.

Financiamento e Investimentos

A empresa conseguiu arrecadar US$ 5 milhões em uma rodada de pré-seed, liderada pela empresa de capital de risco suíça Founderful, que realizou seu primeiro investimento exclusivo em tecnologia educacional na Sparkli. Lukas Wender, sócio fundador da empresa, manifestou que os talentos técnicos da equipe e a oportunidade de mercado foram determinantes para sua decisão de investimento.

Considerações Finais de um Investidor

Wender, que é pai de duas crianças em idade escolar, observou: "Vejo meus filhos aprendendo coisas interessantes, mas eles não têm a oportunidade de aprender sobre tópicos como educação financeira ou inovação em tecnologia. Do ponto de vista do produto, a Sparkli os afasta dos videogames e os permite aprender de maneira imersiva."

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