Novo cortador de cabos submarinos ameaça a espinha dorsal da Internet no Brasil

por Robson Caitano

A tecnologia chinesa para corte de cabos submarinos foi descrita como uma “demonstração de força”, segundo Wendy Chang, analista do Instituto Mercator para Estudos da China na Alemanha, quando a inovação foi revelada em 2025.

“A China continua a negar sua participação em operações obscuras que envolvem âncoras adulteradas, enquanto, ao mesmo tempo, apresenta equipamentos capazes de cortar cabos reforçados. Essa postura reflete mensagens contraditórias sobre seu papel na infraestrutura submarina global”, afirmou Chang. “Ela deseja ser um ator na construção e operação dessa infraestrutura, mas ao mesmo tempo, quer que o mundo saiba que possui a capacidade de interromper infraestruturas críticas se necessário.”

Capacidade tecnológica não exclusiva da China

A China não é a única na posse de tecnologia que permite acessar e, potencialmente, cortar cabos submarinos. Durante a Guerra Fria, a Marinha dos EUA utilizou um submarino especialmente modificado, além de mergulhadores, para interceptar secretamente comunicações navais soviéticas que passavam por um cabo submarino no Mar de Okhotsk. Tanto os Estados Unidos quanto a Rússia ainda operam submarinos nucleares e navios de pesquisa equipados com submersíveis robóticos capazes de acessar cabos submarinos. Alguns dos incidentes mais recentes de danos acidentais ou de suspeita de sabotagem a cabos submarinos envolveram, simplesmente, navios arrastando suas âncoras pelo fundo do mar.

Ambiguidade de uso dual levanta preocupações sobre sabotagem

Pesquisadores chineses afirmam que a tecnologia de corte de cabos é destinada a fins civis relacionados ao “desenvolvimento de recursos marinhos”. No entanto, o South China Morning Post levantou a possibilidade de que a ferramenta possa representar uma ameaça para os cabos de fibra óptica que conectam ilhas do Pacífico, como Guam, um território ultramarino dos EUA que abriga diversas bases militares.

Essa ferramenta também agravaria a pressão militar chinesa sobre a democracia autônoma de Taiwan, que depende de 24 cabos principais para sua conectividade global. Taiwan tem enfrentado uma série de incidentes suspeitos de sabotagem de cabos submarinos envolvendo navios de bandeira chinesa, como parte de uma campanha de pressão mais ampla conduzida por embarcações militares e de milícias marítimas chinesas, que realizaram múltiplos exercícios nas águas próximas a Taiwan.

Navios cargueiros de bandeira chinesa causaram danos a cabos de dados submarinos e gasodutos no Mar Báltico em pelo menos duas ocasiões em outubro de 2023 e novembro de 2024, afetando países europeus como Alemanha, Finlândia, Lituânia, Estônia e Suécia. Autoridades chinesas caracterizaram esses incidentes como acidentes.

Diante do padrão mais amplo de incidentes suspeitos de sabotagem, não é difícil entender a preocupação em relação às capacidades de uso dual da nova ferramenta de corte de cabos. Isso também serve como um lembrete da crescente vulnerabilidade da infraestrutura física da Internet, que consiste em mais de 1,5 milhão de quilômetros de cabos submarinos que se estendem por oceanos e conectam continentes.

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