Emily e Seu Duplo – Vida de Estudante e Funcionalidade à Noite
Emily é uma estudante universitária durante o dia, mas à noite ela trabalha em um clube de strip-tease para pagar sua mensalidade. Ela acredita que seu segredo está a salvo, até que um dia seu misterioso professor de inglês aparece no local. Surgem então as perguntas: ele a reconheceu? Seu segredo será revelado? Para descobrir o que acontece a seguir, o espectador pode pagar 60 "tokens", assistir a um anúncio, ou optar por comprar um passe VIP por 20 dólares por semana, evitando os anúncios.
O Fenômeno dos Microdramas
Essas histórias são exageradas e repletas de atuações e roteiros constrangedores. No entanto, esses “microdramas” — programas no formato semelhante ao TikTok, com episódios que duram cerca de um minuto — estão gerando bilhões de dólares anualmente.
Crescimento do Mercado nos Estados Unidos
Originalmente populares na China, os aplicativos de microdrama estão prestes a ter um ano de destaque no mercado de aplicativos dos Estados Unidos. De acordo com a empresa de inteligência de aplicativos Appfigures, o aplicativo ReelShort alcançou aproximadamente 1,2 bilhão de dólares em gastos de consumidores em 2025, representando um aumento de 119% em relação a 2024. Outro aplicativo em destaque, o DramaBox, registrou 276 milhões de dólares em gastos de consumidores no ano passado, mais que dobrando seus números de 2024.
Expansão de Novas Platarformas
O mercado não parece estar desacelerando. O TikTok lançou seu próprio aplicativo de microdrama chamado PineDrama, enquanto um novo aplicativo, criado por veteranos de Hollywood chamado GammaTime, levantou 14 milhões de dólares, contando com investimentos de personalidades como Alexis Ohanian, Kris Jenner e Kim Kardashian.
O Fracasso do Quibi e o Sucesso Atuais
É surpreendente observar aplicativos de dramas curtos e roteirizados alcançando tal sucesso, especialmente cinco anos após o colapso do Quibi. O Quibi almejava ser semelhante à Netflix, mas com episódios de 10 minutos, projetados para serem assistidos em movimento. Fundada por Jeffrey Katzenberg, co-fundador da Dreamworks e ex-presidente da Disney, a plataforma arrecadou mais de 1,75 bilhão de dólares em investimentos de grandes estúdios de Hollywood, produzindo programas estrelados por Liam Hemsworth, Reese Witherspoon e Anna Kendrick.
Entretanto, ninguém queria o Quibi, que se tornou uma piada pela magnitude de seu fracasso. Em contraste, o ReelShort — com títulos como “Minha Irmã é a Rainha Warlord” e “Apaixonada por um Fazendeiro-Pai Solteiro” — se tornou um sucesso.
A Nova Forma de Entretenimento
Eric Wei, especialista em economia criativa e CEO da Karat Financial, comentou sobre a discrepância de sucesso entre o Quibi e os novos microdramas. “Como eles estão tendo sucesso onde o Quibi falhou? Eles são basicamente o OnlyFans para o olhar feminino,” afirmou Wei. “Eles fazem romantasy, onde os títulos são todos como ‘Meu Alfa’. Isso é como ‘Cinquenta Tons de Cinza’, mas para vídeo vertical.”
Embora a comparação com o OnlyFans não seja totalmente precisa (pois esses programas podem ser sugestivos, mas não pornográficos), Wei está correto ao afirmar que o sexo vende. Quando uma história começa a esquentar, o espectador é incentivado a assistir anúncios ou pagar dinheiro para continuar. No entanto, a recompensa raramente é tentadora, logo o espectador continua assistindo, apenas para ver outro aviso pedindo mais dinheiro ou outra forma de moeda dentro do aplicativo.
O Modelo de Negócios e Seu Funcionamento
O modelo de negócios por trás desses aplicativos replica os mesmos padrões obscuros de jogos móveis. Eles são projetados para viciar os usuários em conteúdo gratuito, oferecendo moeda virtual ao entrar diariamente no aplicativo. À medida que os usuários passam mais tempo no aplicativo — que é feito para ser viciante — é preciso mais moedas ou tokens para desbloquear mais episódios da história. Contudo, não há maneira de conseguir o suficiente para saciar essa necessidade sem gastar dinheiro real.
Em algumas situações, um microdrama é interativo, permitindo que os espectadores escolham qual caminho a história seguirá — porém, a opção que parece mais favorável (como a mulher enfrentando seu ex abusivo) exigirá tokens, enquanto a menos satisfatória (onde o ex abusivo não enfrenta consequências) é gratuita.
Vantagens e Desafios do Modelo Subscrevível
Logo, um espectador que se tornou dependente pode acabar pagando pelo passe semanal de 20 dólares sem anúncios, o que, ao final de um mês, custaria mais do que as assinaturas combinadas de HBO Max, Netflix, Hulu, Disney+ e Paramount Plus.
A Influência da Inteligência Artificial
Com a entrada da inteligência artificial nesse cenário, essas empresas poderão produzir conteúdo em um ritmo ainda mais alarmante. Modelos de linguagem, embora não consigam criar dramas de prestígio como “Succession” da HBO ou comédias como “The Big Bang Theory”, se adequam bem aos microdramas, que são tão previsíveis e formulaicos que não exigem grande criatividade humana. É comum encontrar microdramas que começam com uma cena em que uma garota com óculos é empurrada por um colega de classe maldoso, apenas para ser salva por um atleta popular, que percebe que ela é realmente bonita ao retirar os óculos.
Avanços em Ferramentas Criativas
A PocketFM, uma plataforma de séries de áudio apoiada pela Lightspeed, já adotou a inteligência artificial. No ano passado, lançou uma ferramenta chamada CoPilot, que foi treinada em milhares de horas de conteúdo para entender os “momentos chave” de uma história formulaica, ajudando os roteiristas a adicionar ganchos ou reviravoltas em suas histórias que se espera que atraiam mais espectadores. Enquanto isso, a empresa ucraniana Holywater, que arrecadou 22 milhões de dólares para financiar seu aplicativo de microdrama chamado My Drama, se autodenomina uma “rede de entretenimento com foco em IA”.
Enquanto o microdrama pode migrar inteiramente para o domínio da inteligência artificial, o CEO da Dhar Mann Studios, Sean Atkins, acredita que também há uma oportunidade para os criadores.
“Pense nisso — o formato curto tem custos de produção um pouco menores do que o longo, e o vertical tem ainda menos custos,” disse Atkins. “Acredito que veremos alguns criadores explorando isso de forma significativa, especialmente porque possuem a experiência de produções de baixo custo.”
Estas empresas têm em mãos um modelo de negócios robusto, mas que prospera com a curto-prazismo, compras dentro do aplicativo e conteúdo que se assemelha a "Cocomelon" para adultos.