Como a fabricante dos Sleepbuds, Ozlo, está desenvolvendo uma plataforma para dados de sono.

por Robson Caitano

Ozlo: Evolução de um Produto a uma Plataforma

A Ozlo, empresa responsável pela criação dos Sleepbuds, fones de ouvido projetados para proporcionar conforto e facilitar o sono ao bloquear ruídos externos, está se transformando em uma plataforma. Com o objetivo de ampliar seu alcance, a companhia anunciou uma parceria com o aplicativo de meditação Calm no mês passado, e durante a Consumer Electronics Show em Las Vegas, acelerou seus planos ao se reunir com possíveis novos parceiros.

Exploração de Novos Mercados

Os novos parceiros podem auxiliar a Ozlo a alcançar diferentes públicos e desenvolver um modelo de receita que vai além da venda de hardware, transpondo para um mercado lucrativo de software por meio de assinaturas e serviços de saúde. Por exemplo, funcionalidades de software que utilizam inteligência artificial ou são especificamente desenvolvidas para proporcionar alívio a usuários com tinnitus poderão ser oferecidas como assinaturas premium. Além disso, uma recente aquisição de uma startup de neurotecnologia deverá ajudar a Ozlo a expandir sua atuação, ingressando no setor de dispositivos médicos.

Como as Ambições da Ozlo Começaram

A Ozlo, fundada por ex-funcionários da Bose, sempre teve a intenção de criar um ecossistema. O co-fundador e CEO, NB Patil, explicou durante a CES que desde o início a empresa desenvolveu um SDK para iOS e Android, permitindo que seu aplicativo nativo funcione nesse ambiente. “Isso significa que tudo que você vê em nosso aplicativo pode ser disponibilizado para qualquer um”, afirmou.

O aplicativo Calm, por exemplo, está utilizando o SDK para analisar se seu conteúdo de sono e meditação realmente ressoa com os clientes. Embora não consiga detectar se os usuários adormeceram, os sensores da Ozlo conseguem. O dispositivo monitora como os movimentos do corpo e as taxas de respiração mudam, e esses dados são enviados para o estojo de carregamento da Ozlo, onde um algoritmo de aprendizado de máquina determina se a pessoa está dormindo ou relaxada.

Além disso, o estojo inteligente da Ozlo conta com outros sensores, como um sensor de temperatura e um sensor de luz, que podem fornecer dados adicionais. Assim, essas informações podem agora ser compartilhadas com aplicativos como Calm e outros.

Interação em Tempo Real

Por exemplo, se um usuário iniciar um exercício de respiração, a Ozlo será capaz de verificar se a taxa de respiração diminuiu e compartilhar esses dados com seu parceiro. Se o exercício não for eficaz, o parceiro saberá que precisa alterar o padrão ou tentar uma abordagem diferente.

Patil destaca que existem duas partes envolvidas nisso: a primeira é tomar ações em tempo real quando o cliente atinge o estado desejado, o que a Ozlo faz por meio de uma função que desliga os sons após o usuário adormecer. A segunda parte, que é igualmente importante, é garantir que os criadores de conteúdo estão investindo no que realmente é eficaz, algo que muitos não consideram.

O CEO explica que os criadores de conteúdo para apps de meditação e auxílio ao sono frequentemente focam na quantidade, sem medir se seu conteúdo é realmente eficaz. “Eles não compreendem como isso funciona na prática, pois não há dados disponíveis”, acrescenta.

Essa relação pode agregar uma nova fonte de receita ao negócio da Ozlo, além da venda de hardware. Por exemplo, caso um cliente receba um aviso para atualizar sua assinatura para o produto do parceiro, a Ozlo poderia receber uma parte dessa transação.

Patil informou à TechCrunch que a empresa já está em discussões com outros aplicativos de sono e meditação, e que esse sistema de feedback em tempo real pode ser aplicado a qualquer tipo de conteúdo, incluindo terapia ou audiolivros.

A Ozlo está também desenvolvendo ferramentas de terapia para tinnitus, uma condição que afeta 15% de sua base de clientes. No ano passado, a empresa se uniu ao Hospital Walter Reed para iniciar um estudo clínico sobre o problema e descobriu que tocar a frequência de mascaramento correta durante a noite por várias semanas pode enganar o cérebro, fazendo-o ignorar os sinais irritantes que produzem os sons de zumbido.

Patil afirma que as terapias para tinnitus estarão disponíveis por meio de assinatura e devem ser lançadas no segundo trimestre de 2026.

Inteligência Artificial para Melhorar o Sono

A Ozlo também está trabalhando para expandir as percepções que oferece aos seus clientes, e a inteligência artificial se torna um componente cada vez mais importante. A empresa lançou a funcionalidade Sleep Patterns em seu aplicativo em novembro, permitindo que os clientes compreendam a qualidade e a duração do sono, os padrões ao longo das últimas semanas e os fatores que poderiam estar perturbar seu descanso.

Este ano, a Ozlo planeja apresentar um agente de IA com o qual os clientes poderão interagir por meio de mensagens, funcionando como um “parceiro de sono”. (O nome “buddy” para o agente de IA foi revelado como um “easter egg” dentro do aplicativo, que exibe um personagem animado que corre pela parte superior da tela quando o estojo é aberto e fechado cinco vezes seguidas.)

Por meio da integração com outros dispositivos vestíveis e o HealthKit da Apple, a Ozlo poderá compreender melhor os padrões dos usuários e o que eles necessitam para melhorar a qualidade do sono. Além disso, a empresa pretende conectar-se a dispositivos IoT, como termostatos inteligentes, para regular a temperatura ideal para o sono assim que o estojo for aberto à noite.

As funcionalidades de IA estão previstas para serem lançadas no segundo trimestre de 2026.

Novos Dispositivos e Insights de EEG

A próxima geração do estojo da Ozlo resolverá o problema dos earbuds que às vezes não estão posicionados corretamente no carregador.

“Alteramos os contornos internos do estojo — quando você coloca [o sleepbud], ele se encaixa perfeitamente. Também teremos um botão Bluetooth para facilitar o emparelhamento”, afirma Patil.

Além disso, o novo dispositivo contará com uma antena e um extensor redesenhados para melhorar o alcance, além de um amplificador para aumentar o volume dos fones, permitindo que eles bloqueiem ruídos de aviões e trens, quando necessário. Esta atualização de hardware também deve estar disponível no segundo trimestre de 2026.

Entre os novos produtos, a Ozlo lançará um alto-falante para mesa de cabeceira no mesmo trimestre, que oferecerá funcionalidades semelhantes aos Sleepbuds, mas não exigirá que sejam utilizados nos ouvidos. Um alto-falante de 4×6 polegadas também terá seu próprio sensor, permitindo rastrear quantas vezes o usuário acordou para ir ao banheiro ou alertar outros se ele tivesse caído.

O alto-falante permitirá que a empresa amplie seu mercado para famílias com crianças menores de 13 anos, já que não é recomendado que elas usem earbuds durante a noite. Isso também pode ser interessante para indivíduos mais velhos que não são tão familiarizados com tecnologia e não desejam lidar com dispositivos intra-auriculares.

Assim como o popular despertador Hatch, a Ozlo está trabalhando para adicionar uma luz a um de seus produtos no futuro, que assistiria os usuários a despertarem de forma suave. O prazo de lançamento ainda está sendo definido.

Estratégia de Aquisições

As aquisições também fazem parte da estratégia de crescimento da Ozlo.

A empresa, que conta com 60 funcionários e está sediada em Boston, acaba de adquirir a Segotia, uma empresa irlandesa de neurotecnologia focada em EEG, que vem desenvolvendo tecnologias “ouvidos inteligentes”. A Ozlo acredita que isso permitirá a inclusão de insights em nível cerebral em seu dispositivo de consumo e o desenvolvimento de ferramentas para intervenções em tempo real durante o sono.

“Basicamente, estamos projetando um eartip que medirá os sinais elétricos do seu ouvido. A partir desses dados, podemos extrair os sinais delta do cérebro e determinar o que seu cérebro está fazendo em relação ao sono ou à consciência”, explicou Patil.

Um produto que incorpore essa tecnologia de EEG deverá ser lançado em 2027, permitindo que a empresa entre também no campo dos produtos médicos.

Com um ano agitado à frente, a Ozlo precisará executar eficientemente cada nova funcionalidade e produto de forma rápida para manter seu ritmo atual e expandir sua base de clientes. A empresa também precisará de capital adicional, e Patil informou à TechCrunch que está em processo de finalização de uma rodada de investimento Série B, com mais detalhes a serem divulgados no próximo mês.

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