Intuition Geral capta US$ 134 milhões em investimento inicial para ensinar agentes sobre raciocínio espacial com o uso de clipes de videogame.

por Robson Caitano

Medal Cria Laboratório de Pesquisa em IA

A plataforma Medal, que permite o upload e compartilhamento de clipes de jogos, estabeleceu um novo laboratório de pesquisa em inteligência artificial (IA) chamado General Intuition. O objetivo desse laboratório é utilizar a vasta coleção de vídeos de jogos para treinar e desenvolver modelos de fundação e agentes de IA capazes de entender como objetos e entidades se movem através do espaço e do tempo, um conceito denominado raciocínio espacial-temporal.

Dados do Medal e Diferenciais

General Intuition aposta que o conjunto de dados do Medal, que conta com 2 bilhões de vídeos por ano provenientes de 10 milhões de usuários ativos mensais em milhares de jogos, é superior a alternativas como Twitch ou YouTube para o treinamento de agentes.

Pim de Witte, CEO da Medal e da General Intuition, declarou à TechCrunch que, quando se joga videogame, os jogadores transferem sua percepção, geralmente através de uma visão em primeira pessoa da câmera, para diferentes ambientes. Ele destacou que os gamers que fazem upload de clipes tendem a postar exemplos muito negativos ou positivos, que são casos extremos realmente úteis para o treinamento. “Você obtém esse viés de seleção em direção exatamente ao tipo de dados que deseja usar para o trabalho de treinamento”, afirmou.

Interesse de Investidores e Financiamentos

Esse diferencial no acesso a dados foi o que, segundo informações, chamou a atenção da OpenAI, que tentou adquirir a Medal no final do ano passado por um valor de 500 milhões de dólares, conforme divulgado pelo The Information. Nem a OpenAI nem a General Intuition comentaram sobre o relato.

Além disso, esse atrativo foi um dos fatores que possibilitou à General Intuition levantar impressionantes 133,7 milhões de dólares em financiamento inicial. A rodada teve liderança da Khosla Ventures e da General Catalyst, além da participação da Raine.

Objetivos e Aplicações do General Intuition

A startup pretende utilizar os recursos arrecadados para expandir sua equipe de pesquisadores e engenheiros, com o foco em treinar um agente geral que possa interagir com o mundo ao seu redor. Os primeiros aplicativos estão sendo planejados para os setores de jogos e drones de busca e resgate.

De Witte mencionou que a equipe fundadora já atingiu avanços significativos: o modelo da General Intuition consegue compreender ambientes que não foram utilizados durante o treinamento e prever corretamente ações dentro deles. Essa capacidade é alcançada apenas através da entrada visual; os agentes veem apenas o que um jogador humano veria e se movem pelo espaço seguindo os comandos do controle. A empresa afirma que essa abordagem pode se transferir naturalmente para sistemas físicos, como braços robóticos, drones e veículos autônomos, que frequentemente são manipulados por humanos utilizando controladores de videogame.

Próximas Metas e Diferenciação no Mercado

O próximo marco da General Intuition é duplo: gerar novos mundos simulados para treinar outros agentes e navegar de forma autônoma por ambientes físicos totalmente desconhecidos.

Essa abordagem técnica está moldando a forma como a empresa planeja comercializar sua tecnologia e a diferencia de concorrentes que estão construindo modelos de mundo. Embora a General Intuition também esteja desenvolvendo modelos de mundo para treinar seus agentes, esses modelos não são o produto final. Diferentemente de outros criadores de modelos de mundo, como a DeepMind e a World Labs, que vendem seus modelos de mundo Genie e Marble, respectivamente, para o treinamento de agentes e criação de conteúdos, a General Intuition está focando em outros casos de uso para evitar problemas com direitos autorais.

Foco em Aplicações em Jogos e Humanitárias

O objetivo da startup não é produzir modelos que concorram com os desenvolvedores de jogos, conforme afirmou De Witte. Ao invés disso, as aplicações de jogos da startup estão centradas na criação de bots e personagens não jogáveis que superem os “bots determinísticos” tradicionais, que são os personagens pré-programados que produzem a mesma saída em todas as situações.

De acordo com Moritz Baier-Lentz, membro fundador da General Intuition e parceiro na Lightspeed Ventures, “os bots podem escalar para qualquer nível de dificuldade”. Ele ressalta que “não é atraente criar um bot invencível que derrota todos, mas se você puder escalar gradualmente e preencher a liquidez para qualquer situação de jogador, de forma que a taxa de vitórias seja sempre em torno de 50%, isso maximizará o engajamento e a retenção dos jogadores”.

De Witte, que também possui um histórico em trabalhos humanitários, traz essa experiência para o foco da startup em potencializar drones de busca e resgate, que às vezes precisam navegar por ambientes desconhecidos e extrair informações sem GPS.

Raciocínio Espacial-Temporal e Inteligência Geral Artificial

Por fim, tanto de Witte quanto Baier-Lentz consideram que a funcionalidade central da General Intuition — o raciocínio espacial-temporal — é uma peça crucial na corrida em direção à inteligência geral artificial (AGI). Enquanto grandes laboratórios de IA se concentram na construção de modelos de linguagem cada vez mais poderosos, a General Intuition acredita que a verdadeira AGI requer algo que os modelos de linguagem largamente não conseguem oferecer.

“Como humanos, criamos textos para descrever o que está acontecendo em nosso mundo, mas ao fazer isso, você perde muitas informações”, afirmou de Witte. “Você perde a intuição geral em torno do raciocínio espacial-temporal.”

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