Drones estão transformando a pesquisa sobre mamíferos marinhos.

por Robson Caitano

O desastre da Deepwater Horizon

Em 2010, a plataforma de petróleo Deepwater Horizon explodiu no Golfo do México, resultando em um dos maiores vazamentos de petróleo marinho já registrados. Após esse desastre ambiental, o cientista especializado em cetáceos Iain Kerr se deslocou para a região com o objetivo de estudar os impactos do derramamento nas baleias-sperm. Para isso, ele utilizou dardos especializados, com o tamanho de uma borracha de lápis, para coletar amostras de tecido dos animais.

Desafios no campo

A atividade, porém, não estava progredindo como esperado. Sempre que seu barco se aproximava de uma baleia que emergia para respirar, o animal desaparecia sob as ondas antes que Kerr conseguisse chegar até ele. “Eu me sentia como se estivesse jogando Whac-A-Mole,” relata.

A ideia inovadora

Quando a noite caiu, uma baleia mergulhou na frente de Kerr e o cobriu com mucus de baleia, uma experiência desagradável que gerou uma nova ideia em sua mente. Kerr, que atua na Organização Ocean Alliance, pensou: e se ele conseguisse coletar aquele mesmo mucus, mas voando sobre a baleia de alguma forma? O mucus das baleias pode fornecer informações valiosas, incluindo a sequência de DNA do animal, seu sexo, se está grávida e a composição de seu microbioma.

O SnotBot

Após diversas experimentações, a ideia de Kerr evoluiu para o que hoje é conhecido como SnotBot: um drone equipado com seis placas de Petri que coleta o mucus das baleias ao voar sobre elas enquanto elas emergem e exalam pelo espiráculo. Atualmente, drones dessa natureza estão sendo utilizados em várias partes do mundo para coletar esse mucus, e não apenas de baleias-sperm; eles também estão obtendo esse material cientificamente valioso de outras espécies, como as baleias-azuis e golfinhos. “Eu diria que os drones mudaram a minha vida,” afirma Kerr.

Aplicações da tecnologia de drones

A coleta de mucus é apenas uma das várias maneiras pelas quais drones estão sendo utilizados para estudar baleias. Nos últimos 10 a 15 anos, a tecnologia de drones avançou significativamente, tornando-se acessível e fácil de usar. Essa evolução tem sido um grande benefício para os pesquisadores. Cientistas “estão encontrando aplicações para drones em praticamente todos os aspectos da pesquisa sobre mamíferos marinhos,” observa Joshua Stewart, ecólogo do Instituto de Mamíferos Marinhos da Universidade Estadual de Oregon.

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