Deezer facilita para plataformas concorrentes se posicionarem contra músicas geradas por IA no Brasil.

Introdução da Ferramenta de Detecção de Música Gerada por IA

No ano passado, a Deezer lançou uma ferramenta de detecção de inteligência artificial (IA) que automaticamente marca músicas totalmente geradas por IA para os ouvintes e as remove das recomendações algorítmicas e editoriais.

Disponibilização da Ferramenta para Outras Plataformas

A empresa anunciou na quinta-feira que agora está tornando essa ferramenta disponível para outras plataformas de streaming. O objetivo é ajudar a enfrentar o aumento do uso de IA e dos streams fraudulentos, além de promover a transparência dentro da indústria da música e garantir que artistas humanos recebam o reconhecimento que merecem.

Números sobre Música Gerada por IA

No mesmo comunicado, a Deezer relatou que 85% dos streams provenientes de faixas totalmente geradas por IA são considerados fraudulentos. Atualmente, o serviço recebe 60 mil faixas de IA por dia, totalizando 13,4 milhões de músicas detectadas por IA. Em contraste, em junho do ano passado, a música totalmente gerada por IA representava 18% dos uploads diários, superando a marca de 20 mil faixas.

Detalhes da Ferramenta de Detecção

A Deezer afirma que sua ferramenta de detecção de música pode identificar todas as faixas geradas por IA a partir de modelos generativos importantes, como Suno e Udio. Além de excluir as faixas geradas por IA das recomendações, a ferramenta da Deezer as desmonetiza e as retira do pool de royalties, uma vez que a empresa busca compensar de forma justa músicos e compositores.

Precisão da Ferramenta

De acordo com um porta-voz da empresa, a precisão da ferramenta é de 99,8%.

Interesse de Outras Empresas

O CEO da Deezer, Alexis Lanternier, afirma que houve “grande interesse” pela ferramenta, e várias empresas já “realizaram testes bem-sucedidos”. Uma dessas empresas é a Sacem, a sociedade de gestão francesa que representa mais de 300 mil criadores e editores de música, incluindo David Guetta e DJ Snake.

Informações sobre Preços

A empresa não divulgou informações sobre preços ou revelou quais outras companhias estão interessadas em adotar a ferramenta. Um porta-voz informou que o custo varia de acordo com o tipo de acordo realizado.

Preocupações com o Uso de Material Autoral

Há uma crescente preocupação sobre as empresas de IA utilizarem material protegido por direitos autorais para treinar seus modelos. Existem, ainda, preocupações sobre os métodos utilizados para manipular sistemas de streaming e cometer fraude.

Casos de Fraude em Streaming

Um exemplo de fraude em streaming ocorreu em 2024, quando um músico da Carolina do Norte foi acusado pelo Departamento de Justiça (DOJ) de criar canções geradas por IA e utilizar bots para transmiti-las bilhões de vezes, resultando em mais de 10 milhões de dólares em royalties de streaming furtados. Além disso, bandas de IA, como The Velvet Sundown, acumularam milhões de streams.

Respostas de Plataformas de Streaming

Recentemente, a Bandcamp decidiu banir completamente a música gerada por IA, enquanto o Spotify atualizou sua política para abordar o crescimento de faixas de IA, esclarecendo quando a IA é utilizada na produção musical, reduzindo spam e deixando explícito que clones de voz não autorizados são proibidos na plataforma.

Postura das Gravadoras

Em contraste, gravadoras importantes resolveram litígios com Suno e Udio, parecendo abraçar a música gerada por IA. No outono passado, a Universal Music Group e a Warner Music Group firmaram acordos com essas startups de IA para licenciar seus catálogos musicais, assegurando que artistas e compositores sejam compensados quando seu trabalho é utilizado para treinar modelos de IA.

Iniciativas da Deezer no Setor

Nos últimos anos, a Deezer tomou medidas significativas para abordar preocupações sobre música gerada por IA. Em 2024, tornou-se a primeira plataforma de streaming de música a assinar a declaração global sobre o treinamento de IA, juntando-se a artistas como Kate McKinnon, Kevin Bacon, Kit Harington, Rosie O’Donnell e outros criativos notáveis.

Conclusão

A recente decisão da Deezer de disponibilizar sua ferramenta de detecção poderá estabelecer um precedente para que outras plataformas de streaming de música tomem ações semelhantes em defesa de artistas humanos e no combate à fraude.

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