Problemas Físicos Envolvidos
O conceito idealizado pela Google apresenta uma questão relevante no que diz respeito à física. A energia recebida diminui em função do quadrado da distância, o que significa que a empresa afirma que os satélites precisam manter uma proximidade de até um quilômetro ou menos. Isso exigiria uma formação mais compacta do que qualquer constelação atualmente em operação, mas segundo a Google, essa configuração deve ser viável. A companhia desenvolveu modelos analíticos que sugerem que os satélites posicionados a várias centenas de metros de distância exigiriam apenas “manobras de manutenção de estação” modestas.
Desafios dos Componentes Tecnológicos
O desenvolvimento de hardware para o espaço é um processo caro e, frequentemente, os dispositivos são menos eficientes em comparação aos sistemas utilizados em terra, uma vez que precisam ser reforçados para suportar temperaturas extremas e radiação. A abordagem da Google em relação ao Projeto Suncatcher consiste na reutilização de componentes que já são usados na Terra, que, no entanto, podem não ser muito robustos quando instalados em satélites. Contudo, inovações como o helicóptero Ingenuity, que opera em Marte e utiliza tecnologia baseada em Snapdragon, demonstraram que o hardware convencional pode ter uma durabilidade maior no espaço do que se pensava anteriormente.
Exposição à Radiação e Desempenho dos TPUs
A Google informa que o funcionamento do Suncatcher depende da capacidade dos TPUs (unidades de processamento tensorial) operarem por pelo menos cinco anos, o que equivale a 750 rad. Para testar essa durabilidade, a empresa está sujeita os seus mais recentes TPUs da versão v6e (Trillium) a um feixe de prótons de 67 MeV. Segundo a Google, embora a memória tenha sido a parte mais suscetível a danos, os experimentos mostraram que os TPUs podem suportar cerca de três vezes a quantidade de radiação (praticamente 2 krad) antes que a corrupção de dados seja detectada.
Planos para o Futuro
A empresa espera lançar um par de satélites protótipos equipados com TPUs até o início de 2027. O custo do lançamento desses primeiros satélites inteligentes em órbita é, segundo a Google, previsto para ser bastante elevado. No entanto, a companhia está se preparando para a metade da década de 2030, quando se espera que os custos de lançamento diminuam para cerca de 200 dólares por quilograma. No cenário idealizado, centros de dados baseados no espaço poderiam se tornar tão econômicos quanto suas contrapartes terrestres.
Questões Ambientais Relacionadas aos Data Centers
É importante notar que os data centers terrestres são frequentemente considerados poluidores, barulhentos e altamente consumidores de energia e água. Essa realidade levou muitas comunidades a se oporem à construção dessas instalações próximas aos locais onde as pessoas vivem e trabalham. A solução visando a instalação de data centers no espaço poderia resolver esses problemas para diversos envolvidos, a menos que se trate de astrônomos.
