BuzzFeed lança aplicativos de conteúdo gerados por IA em busca de novas fontes de receita.

BuzzFeed se Reinventa para a Era da Inteligência Artificial

Introdução da Branch Office

A BuzzFeed, empresa de mídia baseada nos Estados Unidos, amplamente conhecida por seus quizzes e listas, está em processo de reinvenção para se adaptar à era da inteligência artificial (IA). Durante a conferência SXSW, realizada em Austin, o cofundador e CEO da BuzzFeed, Jonah Peretti, apresentou a nova iniciativa da empresa: uma subsidiária chamada Branch Office, que se concentrará em explorar a IA em aplicativos voltados ao consumidor, com enfoque na criatividade e na conexão.

Experimentos com IA

Peretti destacou que a Branch Office é uma extensão dos experimentos que a BuzzFeed vem realizando com tecnologia de IA nos últimos anos. Ele reconheceu que a apresentação começou com dificuldades técnicas, mas rapidamente focou nas novas demonstrações de aplicativos.

“Trabalhamos secretamente nisso por mais de um ano e aprendemos muito com a plataforma BuzzFeed sobre as novas formas de formatos de IA que estão surgindo”, declarou Peretti. Ele enfatizou que utilizar a IA é uma maneira de conectar pessoas e construir comunidades em torno de cultura, gosto e interação social.

Novos Aplicativos Apresentados

Bill Shouldis, diretor de produto da BuzzFeed e fundador da Branch Office, apresentou dois aplicativos da nova empresa: BF Island e Conjure.

BF Island

O primeiro produto, BF Island, é uma plataforma de chat em grupo que oferece ferramentas para edição e manipulação de fotos através da IA. Embora essa tecnologia não seja considerada inovadora por si só, o foco não está apenas na tecnologia em si. A característica chave deste aplicativo é a biblioteca interna de tendências e memes online, criada por uma equipe editorial. Essa biblioteca visa inspirar os usuários a criar fotos usando IA que referenciem tendências efêmeras, como a avaliação de hambúrgueres pelo CEO do McDonald’s ou as recentes polêmicas de "frame-mogging".

Conjure

O segundo aplicativo, Conjure, se assemelha ao BeReal, um aplicativo de fotos temporárias que solicita aos usuários que compartilhem imagens de si mesmos diariamente. No entanto, o Conjure orienta os usuários a capturar fotos do mundo ao seu redor, em vez de selfies. Durante a demonstração, um prompt sugeriu que os usuários fotografassem “o que está entre as árvores e a lua”, levando-os, por exemplo, a registrar imagens do céu noturno. O aplicativo também é colocado como possuindo “um espírito de IA para um CEO”.

Recepção da Apresentação

Após as demonstrações dos aplicativos, a recepção da audiência foi mista. Notou-se um silêncio significativo e, após a apresentação, um único tosse pôde ser ouvida, seguida por risadas constrangidas. Durante a sessão de perguntas e respostas, alguns espectadores levantaram dúvidas sobre a viabilidade das propostas, questionando como o Conjure poderia evitar problemas de retenção de usuários semelhantes aos enfrentados pelo BeReal.

Shouldis respondeu afirmando que o aplicativo se desenvolveria e incluiria diferentes tipos de interações, com possibilidade de integrar recursos como vídeo, áudio e protótipos, com a intenção de fortalecer a formação de comunidades.

Desafios Financeiros e Estratégicos

A apresentação da BuzzFeed ocorreu apenas alguns dias depois que a empresa expressou suas "dúvidas substanciais" sobre a continuidade de seus negócios. A empresa está passando por discussões estratégicas voltadas para a solução de problemas de liquidez. No ano anterior, a BuzzFeed registrou um prejuízo líquido de 57,3 milhões de dólares e afirmou que, neste ano, suas prioridades incluirão seu IP de estúdio e novos aplicativos de IA.

Considerações Finais

Apesar da proposta de que a tecnologia de IA poderia acelerar o desenvolvimento de software e, assim, fomentar o engajamento dos usuários, a apresentação não convenceu totalmente o público. Como Peretti ressaltou, “de certa forma, o software é o novo conteúdo”, mas a BuzzFeed parece ter dado mais atenção ao que a IA pode fazer, em vez de considerar o que os usuários realmente desejam fazer com a tecnologia, uma abordagem que pode não ser propícia ao sucesso futuro dos novos aplicativos.

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