Mudanças na Moderação do Bluesky
A rede social descentralizada Bluesky, que compete com plataformas como X e Threads, anunciou na quarta-feira que implementará novas alterações em seu processo de moderação. A empresa informou que está introduzindo atualizações sobre como rastreia violações de suas Diretrizes da Comunidade e aplica suas políticas. Isso inclui a adição de novas categorias de denúncia no aplicativo, alterações em seu sistema de "advertências" por violações e mais orientações para aqueles que desrespeitam as regras.
Atualizações no Aplicativo
As mudanças na moderação estão sendo disponibilizadas com a versão mais recente do aplicativo Bluesky (v. 1.110), que também apresenta um novo ícone de aplicativo em modo escuro e uma funcionalidade reformulada para controlar quem pode responder a suas postagens.
Crescimento e Comunidade
A empresa afirma que as atualizações na moderação são fruto do rápido crescimento do Bluesky e da necessidade de “padrões e expectativas claras sobre como as pessoas se tratam mutuamente” na plataforma. A empresa destacou: “No Bluesky, as pessoas se encontram e se apaixonam, são descobertas como artistas e debatem sobre tópicos específicos em cantos aconchegantes. Ao mesmo tempo, alguns de nós desenvolveram o hábito de dizer coisas por trás das telas que nunca diríamos pessoalmente", explicou a empresa em um comunicado sobre as mudanças.
Incidente Recente
Entretanto, a notícia vem em meio a uma recente controvérsia de moderação na plataforma, na qual uma usuária foi suspensa por fazer um comentário que o Bluesky interpretou como uma ameaça de violência. A autora e influenciadora Sarah Kendzior havia escrito em uma postagem no Bluesky que queria “atirar no autor deste artigo apenas para vê-lo morrer” — uma referência a uma letra de música de Johnny Cash. Essa escolha de palavras foi apropriada, pois ela comentava sobre um artigo sobre Johnny Cash que não apreciava.
A equipe do Bluesky afirmou que Kendzior foi suspensa porque expressou “um desejo de atirar no autor do artigo” – uma interpretação bastante literal de seu comentário.
Foco na Comunidade e Toxicidade
Com as regras atualizadas, o Bluesky parece focar em garantir que a plataforma mantenha um senso de comunidade e não se degrade na toxicidade que atualmente alimenta o X, onde comentários sarcásticos, críticas maldosas e discursos de ódio são frequentemente a norma.
Novas Opções de Denúncia
Para começar, o Bluesky está expandindo as opções de denúncia em postagens de seis para nove, permitindo que os usuários tenham mais precisão ao sinalizar problemas e ajudando os moderadores a agir mais rapidamente em relação a relatos críticos. Por exemplo, agora é possível denunciar casos de Assédio a Jovens, Bullying ou Transtornos Alimentares, o que ajuda a abordar a necessidade do Bluesky de cumprir uma série de novas leis que visam proteger menores online. Além disso, permitirá que os usuários sinalizem conteúdos relacionados ao Tráfico Humano a fim de atender aos requisitos da Lei de Segurança Online do Reino Unido.
Melhoria nas Ferramentas Internas
Para facilitar esse processo, o Bluesky melhorou suas ferramentas internas para rastrear automaticamente as violações e as ações de aplicação em um só lugar. O sistema também garantirá que as pessoas recebam informações claras sobre o que aconteceu e qual a sua situação.
A empresa observa que não está mudando o que aplica, mas melhorou sua ferramenta para que a aplicação seja mais consistente e transparente.
Sistema de Advertências Atualizado
Como parte dessas mudanças, o sistema de advertências do Bluesky agora atribuirá uma classificação de gravidade ao conteúdo, o que ajudará a determinar a ação de aplicação que será tomada. Por exemplo, conteúdos marcados como “risco crítico” resultarão em uma proibição permanente. Outros conteúdos podem receber penalidades menores, médias ou mais severas. E, caso uma conta acumule muitas violações, o usuário poderá arriscar uma proibição permanente em vez de uma suspensão temporária.
Notificações e Apelações
Além disso, a empresa afirma que os usuários serão notificados quando forem alvos de uma ação de aplicação, recebendo informações sobre qual Diretriz da Comunidade foi violada, o nível de gravidade atribuído, a contagem total de violações, o quão próximo estão do próximo limite de ação em nível de conta e a duração e data final de qualquer suspensão. As ações de aplicação também poderão ser apeladas, informou a empresa.
Diretrizes da Comunidade
As mudanças também seguem o lançamento de Diretrizes da Comunidade atualizadas pelo Bluesky em outubro, como parte de seu foco mais amplo em se tornar mais agressivo em moderar e aplicar regras na plataforma.
Controvérsias e Percepção
Embora a empresa enfatize suas regras mais rígidas, alguns usuários do Bluesky continuam insatisfeitos com o fato de a plataforma ainda permitir que um usuário amplamente criticado por suas opiniões sobre questões trans mantenha sua conta na plataforma. Essa controvérsia ressurgiu em outubro, quando a CEO do Bluesky, Jay Graber, parecia desconsiderar as críticas dos usuários em uma série de postagens.
No centro dessa questão está como o Bluesky deseja ser percebido em comparação com a realidade de sua situação atual. A empresa não quer ser conhecida apenas como uma versão esquerdista ou liberal do Twitter; pretende ser um lar onde várias comunidades diferentes possam construir suas redes e prosperar, sem os problemas de uma rede social centralizada. No entanto, grande parte da comunidade que adotou o Bluesky o fez porque não se sentia mais representada no Twitter/X, que se tornou mais inclinada à direita sob o novo proprietário Elon Musk.
Desafios Regulatórios
Além de querer moldar sua imagem, o Bluesky também precisa equilibrar seus objetivos com um número crescente de leis e regulamentos que exigem que plataformas sociais protejam seus usuários de danos ou enfrentem consequências potenciais severas, como multas altas. Por exemplo, no início deste ano, o Bluesky bloqueou seu serviço no Mississippi, alegando que não tinha recursos para cumprir a lei de verificação de idade do estado, que multaria a rede em até US$ 10 mil por usuário em caso de não conformidade.
